segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

.tempo x intensidade

Ela se perdeu naquele sorriso, naqueles braços, na fragrância inconfundível da pele dele.
Desprendeu-se de disfarces, medos, inconvenientes, dos acontecimentos que insistiam em acontecer além dos olhos.
Alimentou naquele instante, apenas o instante, o presente, o que se podia viver ali, com o que se tinha ali. O momento era uma fração de tempo eterna com intensidade sem limites, onde ela se permitia sonhar com aquele, e com apenas aquilo, sem antes, sem depois, para que fosse incorruptível a sensação de satisfação, a sensação de completar-se em algo, como se ao longo da vida esperasse por isto.
Entregou-se docemente ao encanto do momento, aos desejos do momento, fez de conta não existir ressentimento, problemas de antes ou vontades pra depois.
Era pra ele inteira, intensa, cálida, ofegante, minutos seguinte, serena, quieta, segura. Suspirava, o ar tinha acesso para transitar levemente, livremente, como sussurro de felicidade e sorrisos de realização.
Onde as palavras se acabaram, as articulações relaxaram e não houve se quer espaço para agradecimentos ou elogios, não coube qualquer plano que tenha plano de ser infalível, qualquer cobrança absurda ou até gracinhas sem graça, não coube medo, não coube desencontro, não coube a discussão nem sequer dúvida.
Coube apenas a sensação de estar acima “de".
Enganar-se não é tê-lo por mais tempo, mas é tê-lo inteiro no tempo que tive.
Não prolonga, intensifica.

4 comentários:

netunno disse...

sutil, leve e envolvente.
perfeito (;

o irmão disse...

acho que está falando daquilo?
Hummm que delícia....

o irmão disse...

acho que está falando daquilo?
Hummm que delícia....

msm disse...

uau.