terça-feira, 10 de junho de 2008

.presente

As pessoas podem passar cinco meses sozinhas, mas quando começam as campanhas publicitárias cheias de coraçõeszinhos bate também um desespero. Eu terminei o namoro mês passado e agora o que eu vou fazer no dia 12?
O fato é que a publicidade em cima de datas como essa faz com que tudo nas semanas anteriores funcione em função dela. Solteiros se sentem sozinhos os recém-solteiros se sentem no deserto do Saara, e os namorados preocupam-se com que presente dar. As pessoas se mobilizam com comemorações, querem fazer parte dela!

No meu trabalho por anos consecutivos (acho que os 5 anteriores desde quando eu já tinha idade para namorar) os escritório ficava repleto de flores. Rosas, tulipas, orquídeas e por aí a fora. E eu repetia todos os anos – Tenho que achar um namorado para ganhar flores no dia dos namorados.
Mas é só isso? Como se namorar fosse um presente um dia do ano, eu queria alguma coisa mais intensa do tipo “Te amo”.
O dia dos namorados é muito vendedor.
Amiga:
- Mas você não vai dar um presente para o seu namorado? Ele vai achar que você não gosta dele.
Namorado:
- Amor, não precisava mesmo comprar um presente eu gosto de você do mesmo jeito!(Irônico)
E como tudo na vida me coloca em um paradigma de opiniões.
Vou eu delimitar meu sentimento em um valor de um presente qualquer ou seria mais interessante não faze-lo? Talvez apenas doar solidariamente o meu sentimento?
Na dúvida comprei um presente ontem, nada muito articulado, inovador, não custa muito caro. O que eu queria pagar!
Somos surrealistas quando dizemos a frase (tão clichê) “_ o dia dos namorados é todo dia”. A vontade de demonstrar o sentimento é real, mas a demonstração dele absolutamente não é, estamos ligados a horários, compromissos, rotinas, que isso vai ficando obscuro no dia-a-dia.
Se eu fosse vender anúncios para o dia dos namorados faria alguma coisa com “Ele diz que não precisa, mas vai adorar ganhar”, pra que eu mesma me decidisse por qual presente dar.
O valor do presente não representa o tamanho do sentimento, mas a ausência de um presente qualquer coloca a prova se você realmente lembrou do dia dos namorados sendo isso influência da publicidade ou não.

2 comentários:

Anônimo disse...

Dejavu ;)


ass: Fallen

O irmão disse...

Considerando a publicidade e tudo mais, sei que não é fácil fazer parte da massa manipulada pelo sentimento de estar dentro dos acontecimentos, mas ficar fora dele seria estranho.

Por isso mana... bem-vinda!