quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

.radiador

Algumas vezes pode parecer não tão simples comprar alguma coisa. A sacada que me confunde é : Se me vendem o carro o mínimo de favor seria me dar uma assistência coerente, é uma grande sacanagem essa máfia de peças, então você tem três opções :
1)procura por dois meses a fio no desmanche (robauto vulgarizando a palavra)
2) compra na concessionária que pode encarecer o preço em até 1000% segundo o matéria do Jornal Nacional
3)você encontra um cara que tenha o carro idêntico ao seu, coloca uma arma na cabeça dele e sutilmente pega a peça de que você precisa.
Tudo bem, neste pequeno intervalo, conto-lhes a minha trágica trajetória até aqui.
Ninguém espera sair de casa e bater o carro, pois bem, nem eu! Até porque o meu filhinho de estimação não possuía o tal seguro, já que a geração 18 anos irresponsáveis andam por ai atirando carros em postes depois dos porres, o que torna o seguro tão caro quanto uma prestação que você venha pagar.


Após uma passada em lugares legais, eu Sra. Motorista do meu veiculo automotor, sigo em direção a casa de minha companheira de aventuras. A determinada altura a pista muda de lado, chove de repente, os pneus deslizam, e eu, o carro e a amiga vão ladeira a baixo.
Minha Senhora mãe já dizia:
- Não entendo porque os carros de hoje em dia tem que ser tão baixo.
E eu respondia:
– É bonito mãe.
Tudo que podia arrebentar arrebentou-se, tudo que podia furar, furou-se, carro pra um lado, pára-choque pra outro, celulares sem bateria, uma rua deserta.
Podia correr até o posto policial, mas policia? A essa altura do campeonato? Não, melhor não! Calculei sensatamente.


Guincho, oficina (açougue), mecânico (açougueiro), uma gema no meio da oficina dele, o carro parecia ter as ancas abertas.
Vamos abrir aspas pra eu explicar: No mundinho de hoje, as mulheres se dão muito bem nos negócios, mas definitivamente tem coisas que sempre vão ser de homem, digo isso porque odeio ir à oficina e me sentir entrando no açougue, detalhe, eu sou a carne, e o administrador de tudo está lá, analisando, (como se fosse comprar o produto).
Certo, chegamos a onde eu queria.


O meu mecânico – açougueiro disse: (espera! Meu? Não, não mesmo! Não quero que ele seja meu, força de expressão, ele é o cara mais pescador que eu conheço, farei questão de descrevê-lo, as suas mãos são grosseiras e possuem uma camada de graxa que eu acredito que nunca mais irão sair delas, no alto da cabeça ele mantém uma peruca, colada talvez, ele acha que ninguém sabe, eu sei! Reconheceria a 10 metros, as camisas dele são sempre xadrez, e ele fala igualzinho aqueles caras cheios de lábia dos filmes, mas o que eu não consigo mesmo entender é como que ele tem uma amante). Enfim!


Voltando então. Ele disse:
- Mocinha, vou consertar seu carro, em uma semana.
"Ótimo", pensei. Pena que eu estava sendo enrolada: entra e sai dia, liga pra cá pra lá... "Tem um radiador ai?" Manda vir de SC, não manda vir de SP, não tem, compra aqui, esse é 5 cm mais largo, amanha chega, depois de amanha, aquele tem 2 mm mais alto, o cara ta me enrolando, não o João do Centro Cívico tem, não a concessionária ta cobrando 1400,00. Espera.
- R$1.400,00 por um radiador? Meu Deus, é um jogo de rodas com pneus, não pago!
Manda vir do Egito sai mais barato.
- Mas tem que locar camelo pra trazer
- Mesmo assim. Sai mais barato.
Dois meses depois. Chegou.
Veio de SC mesmo.
- Chegou? Perguntei. Chegou? Perguntei pela segunda vez,
- Sim chegou!
- Nossa isso é um sonho. Quando entregam o carro?
- Amanhã de tarde.
Amanha de tarde, pego o telefone ligo: 3333-2222
- Alô? É da oficina açougue?
- Sim!
-Quem fala ai?
- É o Onofre.
- Como que ta o carro que recebeu um transplante de radiador e saiu da UTI?
- Então, temos um problema, o radiador ta no lugar, mas agora a caixa da embreagem ta quebrada, a mangueira e o tanque furo, e tem a “parafuseta da ribimboca” que não ta encaixando.
Pronto... Mais três meses de espera no calor da Mercedes verde.

Um comentário:

Pra quem não sabe disse...
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